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  • “MEMÓRIA DOS TRÓPICOS”, livro do Embaixador Miguel Gustavo de Paiva Torres, conta pequenas agradabilíssimas histórias, e divertidos casos de quando serviu como diplomata em África e Cuba. Como o título sugere, não há obscuridades em seu texto, são claros como o sol tropical e o céu que o abriga; não há água turva em seu regato de palavras que são propositalmente transparentes e nitidamente translúcidas para deixar ver o leito de areias moventes onde fluem, para mostrar toda riqueza da vida que nelas há. Mas não pensem que essa leveza no relato significa superficialidade! Pelo contrário, é profundamente verdadeiro e, em respeito ao leitor, isento de discurso ideológico de qualquer matiz que vise conduzir o leitor, como se o leitor fosse destituído de discernimento para construir sua própria visão de mundo. Miguel, sabiamente, se contenta em contar de forma reta e direta suas experiências pessoais. Cabe a cada um que as leia tirar suas próprias conclusões.
  • Crônicas no Asilo

    R$20,00
    Acredito que a maior parte das pessoas nunca visitou um asilo por livre e espontânea vontade. Isso porque, lá vive uma parcela da população sem a devida atenção da sociedade. Mas, posso dizer que o asilo é um lugar repleto de possibilidades. Nele vejo muitas vidas e velhices que requerem respeito. Constantemente nos deparamos com histórias e estórias inusitadas, encantadas, que nos fazem acreditar que as pessoas são iguais em qualquer lugar que vivam. São amizades construídas, amores que se encontram, dores, alegrias, tristezas, lamentos pelo tempo que passou. Mas, também, um orgulho em dizer: “eu tenho cem anos”! É preciso se abrir para o inesperado e acreditar que se estamos vivendo mais, temos que acompanhar o que esses anos podem nos proporcionar, independentemente de onde estejamos vivendo. O asilo é apenas um lugar! Neste livro conto o que me surpreende a cada dia que visito o asilo. No meu caso, por uma causa justa, apresentar aos mais jovens o que se esconde por trás dos muros deste lugar.
  • “Curtas e Boas”, é um conjunto de contos de agradável leitura que nos revela muito da alma humana, das relações interpessoais e do comportamento das pessoas em função dos acontecimentos com que se deparam cotidianamente. Os contos, além de eivados de curiosas situações, provocam no leitor tanto uma reflexão sobre os fatos narrados como despertam o prazer do contato com textos bem escritos e histórias intrigantes, que, quase sempre, guardam para o final um componente a mais de impacto, emoção e mistério. Segundo a prof.ª Janete dos Santos Bessa Neves, mestre e doutora em Letras, Paulo Tavares Lemos utiliza a estratégia de escrever como se estivesse dialogando com seu leitor. Nesse sentido, vai contando histórias e tocando as emoções de quem lê seus contos. E o leitor vai se envolvendo cada vez mais nos enredos e, assim absorvido e ansioso, não consegue interromper a leitura até que o autor complete o que tem a dizer. E é exatamente assim que me senti quando li seus contos. As histórias nos fazem passear por algumas cidades brasileiras e suas características marcantes, percebidas e descritas por alguém com sensibilidade crítica e com olhar romântico. Ou, ainda, por alguém, saudosista, conhecedor a fundo de lugares por onde passou ou em que residiu. Suas observações minuciosas e adjetivadas com extremo carinho acerca das cidades citadas (Brasília, Rio e seus bairros, Belo Horizonte, São Lourenço – Sul de Minas – só para citar algumas) nos levam a viajar por elas sem necessitar de veículos. A sua narrativa vai conduzindo nossa imaginação para onde e como suas histórias se encenam. As temáticas versam sobre o cotidiano das personagens que podem representar um familiar ou um amigo de qualquer pessoa. Tratam igualmente do dia a dia de famílias, de laços fortes de amizades, de infância e suas traquinagens, de questões psicológicas e de espiritualidade. Suas personagens instigantes nos são apresentadas com tantos detalhes que, no decorrer da leitura, vão se tornando pessoas com quem já temos certa intimidade. Apesar de Paulo Tavares Lemos alertar para o caráter ficcional das personagens, muitas vezes elas se assemelham a pessoas que conhecemos ou com quem eventualmente já estivemos próximos, tal a sua facilidade em descrever com extraordinário realismo o caráter, os desejos e as características físicas dos atores de suas histórias.
  • Gosto de dizer que Joaquim era um visionário, um sonhador, um artista nato, um homem do povo. Uma pessoa sem estudo, porém de uma imaginação fecunda. Criava seus contos de improviso, só precisava de alguém que lhe desse a devida atenção. Em contos foi o maior da região. Embora afirmasse veementemente ser tudo verdade, e muitos vissem seus causos como sendo mentira, Joaquim segredava para os seus: “Eu não minto, eu divirto o povo, conto as histórias que eles querem ouvir”.